domingo, 12 de agosto de 2012




canta o sabiá
mas só vejo a lua crescente
na aurora tardia

sabe quanto é longa a noite
passada a sós e sonhando?


***

nesta praia erma
nem a garça se permite
deixar pegadas

pergunte ao poeta
de onde tanta solidão


***


retornam mais cedo
aos trapiches da barra
os barcos pesqueiros

nuvens são apenas nuvens
para um coração tranqüilo


*** 


neblina de inverno -
somente a linha de espuma
reflete esta tarde

sem limites no horizonte
meu olhar segue além


***




sábado, 4 de agosto de 2012






mais alto agora
o vôo do pássaro -
sem a densa névoa


***

voa o bem-te-vi
baixo e persistente -
como a neblina


***


do mar o rugido
e a garça paralisada -
neblina de inverno


***

parecem mais altos
os prédios da cidade -
tarde enevoada


***


brejo


sexta-feira, 13 de julho de 2012




atento ao portão 
aguarda companhia 
o cachorro fiel 

*** 

noite de insônia - 
descubro um camundongo 
inquieto como eu 

***

tempo de estio - 
no bebedouro do cão 
o sapo aliviado 

*** 

gatos no telhado - 
concertos de madrugada 
sem dó de mim 

*** 

passeio noturno - 
o canto do grilo leva 
a todos os cômodos 




domingo, 8 de julho de 2012






morcegos já voam
mas ao abrigo das rochas
o dia se alonga

esta neve em teus cabelos
por muito tempo esperei


***


vento da estação
penetra a roupa e enregela
a alma do andarilho

só o calor do teu corpo
mostra que ainda estou viva




sexta-feira, 6 de julho de 2012

gafanhoto





sono do andarilho
ao abrigo da figueira - 
retalhos de luar 


***


já de partida 
a lua deixa um sorriso 
ao sol que levanta 


***


céu de lua nova - 
resta ao último pesqueiro 
um farol de estrelas 


***


noite de luau - 
sobre a branca duna 
a lua fincou morada 


***


vem a madrugada - 
quanto mais alto a lua 
distante o sono 


***


luar sobre os jambolões  -
no gramado do jardim 
teatro de sombras